Segundo o diretor do campus Clóvis Moura, o governo tem interesse em aumentar a carga horária dos professores para que alunos não fiquem com disciplinas em aberto.

Alunos decidiram em votação manter a ocupação do campus Clóvis Moura — Foto: Rafaela Leal /G1 PI
Alunos decidiram em votação manter a ocupação do campus Clóvis Moura — Foto: Rafaela Leal /G1 PI

Os estudantes da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) decidiram em assembleia, na tarde desta quarta-feira (25), manter a ocupação por tempo indeterminado do campus Clóvis Moura, no bairro Dirceu, Zona Sudeste de Teresina. Os alunos protestam contra atrasos de bolsa trabalho e auxílio refeição, falta de estrutura do campus, além da insuficiência de professores.

A ocupação do campus aconteceu ainda durante a manhã desta quarta, com a suspensão das aulas. Os alunos afirmam que a situação no local está insalubre, porque os servidores terceirizados, que fazem a limpeza do local, estão há três meses sem receber salário e paralisaram as atividades.

Segundo o diretor do campus, Renê Aquino, a prefeitura está há mais de dois meses sem realizar a coleta de lixo no campus, essa coleta está sendo realizada pela própria universidade. Além disso, professores de outros campi estão tendo a carga horária alterada para que alunos não fiquem sem disciplinas.

“Há um interesse por parte do governo de alterar a lei que rege nosso plano de carreira, para aumentar a quantidade de horas dos professores em sala de aula. O governo alega que se aumentar a carga de um docente que pega três disciplinas, por exemplo, para que ele passe a pegar quatro, vai diminuir as disciplinas em aberto” explicou.

Alunos da Universidade Estadual do Piauí ocupam por tem indeterminado o campus Clóvis Moura  — Foto: Rafaela Leal /G1 PI
Alunos da Universidade Estadual do Piauí ocupam por tem indeterminado o campus Clóvis Moura — Foto: Rafaela Leal /

A estudante Antônia Ferreira, integrante do movimento estudantil, explicou que a situação do campus é precária para continuar funcionando.

“Ninguém aguenta mais isso, a universidade está sucateada, sem condições de funcionamento, porque nossa água não está em condições de consumo, a coleta de lixo não está sendo feita, os banheiros sem a mínima condição de uso. Será que seremos nós que teremos que fazer a coleta de lixo? Nós é que teremos que trazer nossa garrafa com água de casa para beber? Trazer material de limpeza para limpar as salas e banheiros para usarmos? Não tem como fechar os olhos diante de uma situação dessa”, alegou.

Campus Clóvis Moura, da Uespi, encontra com portões fechados e muito lixo — Foto: Rafaela Leal/G1 PI
Campus Clóvis Moura, da Uespi, encontra com portões fechados e muito lixo — Foto: Rafaela Leal

A Associação dos Docentes do Ensino Superior do Piauí (ADCESP) disse apoiar os estudantes e que irão discutir uma possível paralisação dos professores. “Iremos discutir ainda nesta quarta em assembleia a possível paralisação em apoio aos alunos. A situação aqui é crítica, não tem condições de continuar funcionando assim”, disse Rosângela Assunção, coordenadora geral.

A representante do Diretório Central dos Estudantes, Maria Antônia Vieira, informou que os alunos de outros campi irão decidir futuramente se unem aos demais estudantes na paralisação estudantil.

“Estamos pensando mobilizações para os outros campi da universidade, como o da Facime [de medicina] e Torquato Neto, para decidir se eles também serão fechados ou se vêm para esse campus para ocuparmos juntos este local”, contou.

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