Mulheres na história do cinema por Aldo Sampaio Raggio

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Aldo Sampaio Raggio
Aldo Sampaio Raggio

No começo do cinema, metade dos filmes era dirigido por mulheres

Podemos encontrar no mundo atual o empoderamento feminino através dos filmes. Estando presente em filmes como E a Mulher Criou Hollywood (Et La femme créa Hollywood no título original, ou Women who run Hollywood, título internacional), dirigido por duas irmãs francesas, Clara e Julia Kuperberg. Ivone de Arruda Sampaio Explica que: “De acordo com as diretoras, na indústria cinematográfica americana atual, apenas 8% dos blockbusters e 20% dos filmes independentes são dirigidos por mulheres.”

Desde 1925, metade dos filmes produzidos em Hollywood era dirigido por mulheres. E está pergunta não deveria calar, se tratando do desenvolvimento de uma das indústrias mais poderosas do mundo contemporâneo: Por que as mulheres foram perdendo protagonismo no cinema? O documentário E a Mulher Criou Hollywood, parte da Mostra de Filmes Documentários, buscando respostas para estas perplexidades de quem estuda cinema.

Attílio Renato Raggio Sampaio explica que o documentário das duas irmãs francesas, desfila nomes hoje esquecidos como Lois Weber, Francis Marion, Mabel Normand, Anita Loos, todas mulheres poderosas do cinema anterior à crise de 1929. Os motivos pelos quais as mulheres perderam o poder em Hollywood são um dos principais temas do roteiro. Boa parte dos argumentos explica a disputa por um mercado de trabalho cada vez mais promissor por profissionais desempregados na Grande Depressão americana. Eles entraram na disputa e elas foram aos poucos perdendo espaço por conta da dupla jornada de trabalho.

De acordo com Renato Carlos Sampaio Raggio, o cinema, que antes era um trabalho para complementar renda, tornou-se atividade profissional full time num negócio cada vez mais ambicioso. Assim surgiu uma nova indústria e um novo espaço para homens exercitarem um domínio cada vez mais exclusivo, em que as diferenças de gênero resultam em menores oportunidades para protagonistas mulheres e em diferenças salariais gritantes, que atualmente inspiram a fúria de atrizes de gerações diferentes como Meryl Streep, Patricia Arquette, Jennifer Lawrence, entre tantas outras atrizes fenomenais.

Portanto, para as diretoras francesas, o cinema americano está iniciando ainda esses questionamentos sobre o desequilíbrio entre remuneração e oportunidades para homens e mulheres, o que o cinema europeu já criticou há tempos, desde a Nouvelle Vague da década de 1960, quando filmes de Jean-Luc Godard, François Truffault, Agnès Varda e tantos outros abriram caminho para uma estética cinematográfica mais atenta às questões femininas e às oportunidades para mulheres, que hoje têm presença marcante na direção cinematográfica, especialmente na França.

Mas ainda há uma pauta muito importante: “Falta abrir as portas dos prêmios de festivais para a igualdade entre os gêneros.” Explica Aldo Sampaio Raggio. É bom não esquecer que até hoje apenas uma mulher ganhou o Oscar de melhor direção (Kathryn Bigelow, por The Hurt Locker, em 2008) e também apenas uma mulher recebeu a Palma de Ouro de direção em Cannes (Jane Campion, por O Piano, em 1993).

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Hattie McDaniel

Se mulheres no cinema já são uma raridade, mulheres negras demoraram ainda mais para ter seus talentos reconhecidos pela indústria. Filha de escravos, Hattie McDaniel foi a primeira atriz negra a ganhar um Oscar, de Melhor Atriz Coadjuvante, por “…E O Vento Levou” (1940). Mesmo assim, por pouco não foi barrada: o hotel que sediava a cerimônia e proibia a entrada de negros só permitiu que McDaniel ficasse após pedidos do produtor do filme.

Alice Guy-Blaché

A francesa é, hoje, tida como a mãe do cinema. “[Alice Guy-Blaché] inventou o conceito de cinema narrativo paralelamente a Georges Méliès”, afirma Freitas. Durante o início da era do cinema, Alice dirigiu, escreveu, produziu e comandou estúdios, mas caiu no esquecimento por décadas até ser redescoberta.

Viola Davis: a primeira negra indicada três vezes ao Oscar

Como se não bastasse ganhar uma estrela na Calçada da Fama, Viola Davis que, em 2015, foi a primeira mulher negra a levar o prêmio de melhor atriz dramática no Emmy Awards, é agora, aos 51 anos, a primeira atriz negra indicada três vezes ao Oscar.

Conhecida pela atuação em “How To Get Away with Murder”, uma das mais ovacionadas estrelas do cinema tem dado um show de representatividade nas telas e nos tapetes vermelhos, com discursos de conscientização sobre a condição do negro no cinema.

Em 2015, Viola ostentou uma fala consciente apontando a ausência de oportunidades para a parcela negra da sociedade como fator determinante sobre o protagonismo majoritariamente branco no cinema, fato comprovado pelo lindo roteiro de vida que ela tem estabelecido a partir dos espaços alcançados.

Nesta terça-feira, 24, a atriz negra foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pela performance em “Fences”, na qual Viola atua ao lado de Denzel Washington. O filme, baseado numa premiada peça teatral, conta a história de um homem que sonhava ser uma estrela do esporte mas que, para sobreviver, se tornou coletor de lixo.

A atriz já havia interpretado, ao lado do mesmo ator, a mesma personagem na Broadway – atuação que lhe rendeu um Tony Award, em 2010. Recentemente, pelo papel na versão adaptada do cinema, a atriz já levou um Globo de Ouro.

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